Pensamentos Mágicos
- Rafael Santos
- 20 de dez. de 2025
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Os pensamentos mágicos nos transportam de volta à infância, quando nossos desejos e necessidades pareciam poder moldar a realidade. Em momentos de vulnerabilidade, essa ilusão pode ressurgir como uma forma de controle sobre o imprevisível. É como se diante da vulnerabilidade, do conflito ou da incerteza o psiquismo se voltasse para a onipotência um dia experimentada relacionada aos processos do pensamento. Em algumas situações, entretanto, o modo mágico de pensar dificulta o “aprender com a experiência” a partir de vivências reais.
Pensamentos mágicos podem se manifestar, por exemplo, na crença de que repetir ações, como tocar um objeto diversas vezes, pode prevenir um acidente, ou que ter um pensamento negativo pode causar dano a outra pessoa.
Em psicanálise, os "pensamentos mágicos" são as sobras de estados infantis de onipotência, em que o pensamento parecia ter o poder de moldar a realidade.
Imagina você bebezinho sentindo fome e, de repente, vem a mãe com o peito? No início da vida, a experiência de desejar e imediatamente ser atendido cria a ilusão de que o pensamento é suficiente para produzir a realidade.
"Eu pensava como as crianças pensam, como se meus desejos e pensamentos tivessem o poder de reverter a narrativa, de mudar o desfecho", escreve Joan Didion no livro "O Ano do Pensamento Mágico". Em momentos de vulnerabilidade ou conflito, o pensamento mágico pode ressurgir como um modo de tentar exercer controle sobre o que é incerto e imprevisível.
Por mais que sejam incômodos, os pensamentos mágicos possuem sua conveniência no sentido da dinâmica psíquica. É como preferir uma crença irracional do que lidar com a falta de controle.
Em outra direção, o psicanalista Thomas Ogden introduz o conceito de "pensamentos oníricos e pensamentos transformativos", destacando que o ato de pensar também pode servir como uma forma de perceber a experiência sob diferentes perspectivas.
Em momentos de fragilidade, o psiquismo tende a regressar a formas antigas de funcionamento. Entre elas, o pensamento mágico ocupa um lugar particular: ele reaparece como uma tentativa de restaurar uma sensação de controle diante da incerteza.
Os chamados pensamentos mágicos podem ser compreendidos como restos dessa onipotência infantil. Eles surgem, por exemplo, na crença de que repetir um ritual (tocar um objeto, refazer um gesto, evitar uma palavra) pode prevenir uma catástrofe, ou na fantasia de que um pensamento negativo possa causar dano real a alguém. Nessas situações, o pensamento deixa de ser um espaço de elaboração simbólica e passa a funcionar como ação: pensar é fazer.
